quarta-feira, 7 de outubro de 2009

74 coisas que me fazem feliz


Pra não esquecer, pra lembrar, pra me dar conta, pra incluir, pra preservar, pra dar a medida.

Saber que são coisas pequenas, grandes, coisas importantes, bobas, são as minhas coisas, são muito mais que essas, são as que recordei, passam desapercebidas, ou não.

Se repetem, com sorte. Acontecem o tempo todo, ou só uma vez e bastou.




1-Acordar e ver que o dia está ensolarado
2-Acordar e ter mais um tempinho pra ficar de preguiça na cama
3-Ver que esta chovendo e voltar a dormir
4-A sensação de chegar na praia no verão e tirar o chinelo e meter os pés na areia pela primeira vez
5-Um "eu te amo", vindo de quem queremos que venha
6-Comprar livro novo e sentir o cheirinho do papel
7-Escrever
8-Ler no sofá, fumando um cigarro (tô nem aí , patrulha!!)
9-Morrer de rir
10-Chorar em filme de amor
11-Dançar samba de salto alto e suar
12-Cortar a onda no primeiro mergulho do verão
13-Achar que perdi alguma coisa e depois encontrá-la quando estava quase desistindo
14-Ver um amigo com quem não tinha contato há muito tempo e perceber que ficamos exatamente no mesmo ponto em que tínhamos deixado.
15-Estar perdidamente apaixonada
16-Ouvir: "estou perdidamente apaixonado por você"
17-Sexo bom que me deixa com as pernas bambas, mancha na coxa e me sentindo totalmente mulher
18-Sexo com amor, que me deixa com as pernas bambas, mancha na coxa e me sentindo totalmente amada
19-Viajar e voltar pra Ilha, ver a Ponte Hercílio Luz e pensar: “como esta cidade é linda, eu moro aqui!”
20-Receber telefonema de pessoas queridas
21-Sair só com as amigas, rir muito, falar bobagens de mulherzinha, lembrar das roubadas passadas e voltar bêbada
22-Cantar músicas que me recordam algo, com alguém que também se recorda
23-Ouvir uma música pela primeira vez e achá-la linda
24-Lembrar que nessa semana tem feriado
25-Ganhar mimo da minha mãe
26-O abraço de alguém de quem sentia muita falta
27-Chegar em casa e ver meus cachorros abanando o rabinho pra mim
28- colocar o Billy no meu colo, acariciar o peito do Nero e encostar minha cabeça na do Ringo
29-Cheiro de grama recém cortada
30--Comprar roupa nova, sapato, maquiagem, livro, CD
31-Dar presente
32-Ganhar um jantar à luz de velas surpresa
33-A sensação do cabelo molhado quando saio do chuveiro
34-A sensação no meu corpo e coração quando ouço uma bateria de Escola de Samba
35-Torcer pra acontecer....e acontecer
36-Uma conversa tão boa quanto sexo, um seo tão bom quanto uma boa conversa
37-Um café quentinho no frio
38-Comer qualquer coisa que contenha camarão
39-O sorriso de um bebê
40-Ganhar uma cantada original
41-O telefone tocar quando eu tô esperando que toque
42-O telefone tocar quando desisti de esperar
43-Receber email de amor, carta, bilhetinho, mensagem, sinal de fumaça
44-Pegar o elevador vazio
45-A fila do banco só ter duas pessoas a minha frente
46-Beber tequila
47-Ser útil para alguém
48- Ouvir Beatles
49-Papear com o taxista
50-Estar nos braços do meu amor
51-O sorriso dele pra mim
52-A generosidade da minha irmã
53-As piadas do meu pai
54-Tentar resistir a comer chocolate com medo das calorias e acabar não resistindo, a primeira mordida, prendendo na língua
55-Cultivar velhas amizades
56-Conhecer uma nova pessoa e pensar: adorei!
57-Ver Dirty Dancing pela enéssima vez
58-Comer batata frita
59-Pessoas com senso de humor
60-Pessoas doidinhas
61-Subir o Morro da lagoa
62-Poesia
63-Chegar em casa de manhazinha e ver o pior do sol
64-Comer bolinho de chuva num dia de chuva, com café e leite
65- montar pinheirinho de Natal
66- Estreiar uma camisola nova
67-Ver trovoada no mar
68-Vestidos longos estampados
69-Contar coisas engraçadas
70-Ouvir coisas engraçadas
71-Conversar antes de dormir
72-Deitar num lençol recém lavado
73-Ouvir Tom Jobim
74-Ser a razão da felicidade de alguém

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Let´s dance

Ai, estou triste. Morreu o homem que mais lindamente vestia uma calça preta-justa no mundo! Aquele que em Dirty Dancing fez a gente acreditar, ainda na adolescência, que a garota sem gracinha podia conquistar o gostosão do pedaço. Acho que foi justamente essa a grande sacada desse filminho sessão da tarde. Toda menina que não se encaixava exatamente no padrão de beleza da época estava ali representada pela Jennifer Grey. A gordinha, a de óculos, a baixinha, a magrela. Todas podíamos "pegar" o gato do Patrick, o galã do colégio, o marrento da balada, o disputado a tapa. E sonhar nunca custou nada mesmo. 

Ok, é filme de mulherzinha e blá blá blá wiskas sachê. É. Eles cultuam Jackie Chan, peramore(!), entonces deixem-nos com nossas mulherzises. E desculpem rapazes, comemoramos aniversários, mas quem é que cresceu? voc}es ainda assistem filminhos de perseguições em alta velocidade e muitas porradas. E nós, nós ainda suspiramos baixinho naquela cena final,  com Patrick e Jeniffer dançando ao som de  I had the time of my life. Á época,  o cúmulo do sensual, hoje, cafona de tão ingênua. 

O sucesso para Swayse veio tarde, depois dos 35. E eu estava lá pra ver. Era um homão em “The Outsiders” do Copolla, ao lado dos menininhos Tom Cruise, Rob Lowe e Ralf Machio. O filme em que todas nós, garotas começando a vida, suspirávamos e dávamos gritinhos, pra depois sair pela cidade e achar todos uns sem graça. Os meninos bebiam pra sair pra baçada, nós assistíamos a Dirty Dancing. Não era um bom ator, mas tinha carisma. E pra valorizar ainda mais o sujeito, casou em 1975, antes de sequer cogitar ser ator e permaneceu casado até 2009, com a mesmíssima mulher. Pasmem. Eu pasmo. Quase acredito que o amor existe.


Eu sou cinéfila, adoro Touro Indomável, Crepúsculos dos Deuses, meu ídolo é Marlon Brando, mas confesso, será sempre a minha "pipoca" preferida. Swayse morreu hoje , aos 57 anos. Cedo. De câncer. Sofrido. E sempre que alguém morre, mais do que lamentar, eu desejo que tenha tido uma boa vida, que tenha tido com quem dividir as alegrias e as dores e que um segundinho antes de partir, tenha  passado pela mente, um  "valeu a pena”. Tem gente que não está atento a isso, nem sempre eu estou.  A viver de modo que quando esta puerra toda acabar, possamos levar mais gratidão do que arrependimentos. Algumas vezes gastamos a vida, como diria o protagonista de “Os Mais” de Eça de Queirós, sem nos darmos conta do que realmente importa. Não gastemos as nossas. Ah, e vamos dançar mais, please. Vamos dançar muito!




 

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Adeus ano-velho, feliz ano-novo



É agosto, ainda faltam quatro meses pro Natal e a chegada de 2010, no entanto, solto meus fogos agora, não exatamente para comemorar uma virada de ano, mas para dar passagem à esperança e dar as boas-vindas às coisas novas que vieram habitar a minha vida. Despeço-me do que ficou velho, do que virou passado, do que ficou pra trás, do que não cabe mais, para abrir espaço para o que  passou a fazer parte. Para novos amigos,  amigos que de distantes se fizeram próximos, para um novo amor, para uma nova mulher. Nunca pronta, nunca definida, a mesma de sempre, transformada, a menina revisitada, a mulher que se apresenta a ela mesma, novamente, e diz: "muito prazer".

Ah baby, não é fácil o caminho, não é sem medo ou sem dor, às vezes tanta. Um dia a gente se perde, um dia a gente se encontra e cai e levanta e cai e levanta, como se aprendêssemos a velejar num barco à velas. Mas como seguir em frente se nos sentimos como uma flor presa a um vasinho de mágoas? Aprendendo a olhar ao redor e acima e mais acima, deixando o sol  curar as feridas, desabrochando mais uma vez, vomo se fosse a primeira. Em um dos filmes da minha vida, que muitos amam e outros tanto detestam, “Magnólia”, uma frase permeia todo o enredo “O passado já era pra nós, mas não nós para o passado”. É isso. Como acertarmos as contas com o que pode viciar nossas experiências presentes e futuras? Porque nos prendemos ao passado, como se ele fosse algum troféu, como tantas vezes tiramos o pó, ou como queremos enterrá-lo, dar as costas a ele, sem nenhum entendimento.

O muito que demora para estendermos nossas duas mãos a ele, confrontá-lo, acarinhá-lo e, por fim, nos reconciliarmos com ele. Às vezes toda uma vida. Melhor se for agora. Porque somos parte do que já fomos, porque somos o que vivemos, porque percorremos essa estrada.Mas não fazer dele a nossa morada, não nos acomodarmos e adormecermos em seus braços.
Perdoar, aos outros e a si mesmo, não carregar culpas desnecessárias, saber viver com os arrependimentos (porque sim, nos arrependeremos tantas vezes na vida e por tantas coisas), não revisitar velhos fantasmas, não ter medo do desconhecido, das mudanças que se impõem. Ter lembranças boas, guardar velhas fotografias que nos façam sorrir, saber fazer a fila andar, nos darmos chance para seguir em frente, feliz. E, se possível, sem tanto medo. Agradecendo toda ajuda que encontremos nessa jornada. São nossas pedras preciosas. As suas. As minhas. E as minhas nesse reveilon de agosto tem seus nomes e a eles agradeço. Feliz ano-novo!

Para Alexandre, Edson, Lúcia, Claúdia, Cibele, Regina, Fernanda, Aldi, Carol, Cássio e para minha família.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ringo Star, o resmungão (uma crônica bobinha de amor)


Não entendo quem não gosta de samba, quem não gosta de Beatles, quem não gosta de cachorro. Respeito, vá lá, mas não entendo. Eu amo meu caozinho preto e branco, com olhos cor de mel, com nome de Beatle: meu Ringo Star. E essa é minha declaração de amor pra ele. Esse amor que tento expressar todo dia, há quatro anos, desde que o trouxe numa caixinha, o filhote mais lindo que já vi. Primeiro pensei em dar a ele o nome de Brando, em homenagem a um outro ídolo, o Marlon, mas mudei de idéia bem a tempo, porque Ringo Star não tem nada de brando, ele é daqueles cachorros meio problemáticos, que independente do tamanho, se acha, quer ser o líder, disputa, ganha. É líder. Baixinho e marrento, feito o Romário. Sou fâ do baixinho também, então Ringuinho é o meu herói, meu bad boy resmungão.

Daqueles inesquecíveis, que acumulam histórias pra contar. Como chegar na casa da minha mãe pela primeira vez e assim que é largado ao chão, procurar o tapete mais bonito da casa e deixar sua marca: cocô com vermes. Um jeito muito Ringo Star de se apresentar, muito prazer. Ou sua maneira Mohamed Ali de receber um novo amiguinho, dos tantos que vieram depois dele, chamando pra brincadeira, com as patinhas fazendo passos de boxeador num ringue. Ou quando a brincadeira virou luta com nocaute. Quase matou meu Bibi, o vira-latas mais safado do mundo.

Desculpa, Ringuetes, por ter passado a liderança pro pastor, só porque ele é grandão e obediente, por te colocar em segundo lugar pra dar a comida, os petisquinhos, pra brincar. Mas você se rendeu? Claro que não, por mais que eu quisesse, se rebelava e mostrava pra mim e pra ele quem mandava nessa casa. Ringo que me olha esquisito e muito parado, se eu fico triste ou choro e que me espera no portão com um tapetinho velho na boca, querendo que eu entre logo pra brincar. Desculpa se não te levei muito pra passear. E obrigado, por estar naquele lugar quando eu passei por lá, por fazer parte da minha vida e sobretudo, por me ensinar a cuidar. Eu, que nem aprendi direito a cuidar de mim, que nunca cuidei de coisa alguma, aprendi a cuidar de quem precisava de cuidado. Errando e acertando. Te dando esporro, uns chegas pra lá, te dando carinho na barriga, ou alisando tuas patinhas, ou te dando todo amor que tive pra te dar.

Agora que a vida mudou, pra mim e pra ele, por essas coisas que acontecem e não se preveem, agora que ele está indo embora da minha casa, meu coração fica apertado e eu choro como se ele fosse um membro da minha família. E é. Ele vai me esquecer, eu sei. Um dia não vai mais saber que fui a dona dele, nem tchuns pra minha cara. Espero revê-lo feliz...e resmungando, claro. Eu nunca vou esquecer. Meu primeiro cachorro. Meu amigo, meu companheirinho. Vai feliz, Ringão, vai com teu dono, ser líder em outro pátio, como sempre vai ser no meu coração

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Amor é divino, sexo é animal


Taquesopariu!
(ok, eu não ando lá muito fina, quem quiser pode se dirigir ao blog da Sandy)
Last night, altas horas da madrugada, sem conseguir dormir e sem conseguir ter um único pensamento edificante, acabei pensando em algumas expressões utilizadas quando se é preciso ser menos vulgar. E no quanto elas acabam por transformar mero prazer em algo tão....chato!

Pratique sexo seguro. Entra carnaval, sai carnaval, tascam na TV o tal slogan. Tá, importante, é sempre bom repetir a necessidade do uso da camisinha. That´s ok. Mas só por conta dessa palavrinha aborrecida, “ praticar”, o lance todo já parece um tédio só. Se você é Sandy como é que saerá que diz que fez sexo? Comos será o papinho entre amigas, todas meigas? Se você não é meiga, diz sim-ples-men-te:
“ Gente, hoje transei horroresssssss”. Ou termo mais impactante, daqueles que por si só já traduzem que o lance foi the best e ponto final. O verbo em questão, praticar, é tão chatinho que só mesmo em propaganda publicitária. E não se resume pra descrever sexo, mas pra descrever qualquer ação. " Pratique o bem",
" Pratique esporte", parece coisa dos Dez Mandamentos. Prefiro dar que praticar, dá licença.

Outra expressão chatinha: Atingir o orgasmo. Pô, que sacrifício! Falando assim a gente até já pensa em desistir, porque vamos combinar que para se atingir alguma coisa, em geral, é preciso algum tipo de esforço. Algumas vezes o que se precisa atingir parece inatingível. Como atingir o Nirvana. Pelo que dizem, deve ser ótimo, mas não conheço ninguém que atingiu, conhece? Prefiro atingir o orgasmo que o Nirvana, é mais fácil.
Manter relações sexuais,  expressão usada nos consultórios dos ginecologistas. Eles adoram te constranger perguntando: “Você tem mantido relações sexuais com freqüência?” Ao que você responde olhando pro teto: “ Sim (ou não, ou uma mixaria aqui outra ali), mas pensando: “Sim, tenho dado pacas (ou não, ou uma mixaria aqui outra ali) Safada. Pseudo-Sandy! Manter relação já parece uma coisa in-ter-mi-ná-vel. Pensa: enquanto você mantiver, o lance não termina. Também, em alguns casos, parece que você está mantendo por obrigação. E sexo por obrigação nem aquela biscate que você detesta merece.
"Desculpa, isso nunca aconteceu comigo”. O que? E justo na minha vez acontece pela primeira vez? Não tem uma que nessa hora não pensa: "Ai, senhor, foi o que será? Ele não gostou da minha calcinha, será que foi alguma coisa que eu disse na hora, será a depilação que não está lá 100% ?". Não daria pra dizerem assim: “desculpa, eu queria tanto que fiquei muito ansioso, também aconteceu isso comigo outro dia, quando peguei a Angelina Jolie”. Ô beleza, culpa nessa hora nem nos passaria pela cabeça, meu filho! Eu prefiro uma doce mentira do que a verdade algumas vezes. A Sandy, não faço idéia.
"amor é latifúndio, sexo é invasão"

Olha ( vem comigo aonde eu for)

Ih, me interna.
Chorei baldes domingo à noite, assistindo “ Elas cantam Roberto”. É, o Carlos. Tudo bem que tem TPM envolvida, aí a sensibilidade já está mesmo à flor da pele. Que outro motivo eu teria pra chorar, já que nem sou fã do cara? Rei pra mim é Chico, Tom Jobim, Tim Maia.  Não gosto do Roberto cantando as músicas do Roberto. Nem daquela coisa TOC, terninho-azul-sapatinho-branco, cabelinho que não muda o corte há 40 anos e “são tantas emoções" e muitíssimo menos ainda da fase "irmãos caminhoneiro Shell" e aquela ôde interminável à Maria Rita. (diós a tenha)

Mas eu já sabia que gostava de algumas letras bem bonitinhas dele (Fera Ferida, Falando Sério, Esqueça, Como Vai Você...) cantada por outras vozes. E as vozes femininas entonces, deram um show. Mulher cantando fica tão apaixonado, tão meiguinho, ou tão Edith Piaf, desesperado, sofrido, lírico, lindinho. E então, porque sempre que alguém diz que ama Roberto eu faço cara de nojinho e porque apesar disso, um dia eu me emocionei to-din-ha com o Rei (á lá), fica aqui o registro. E hoje, de todas, fico com essa:

Olha
Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, minha amada, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor
http://www.youtube.com/watch?v=A8mWw8hRkKI



quarta-feira, 27 de maio de 2009

Você tem medo de que?



A pergunta era: do que você tem medo? Melhor reformular: do que não tem?

Medo de não amar, de não ser amada, de rejeição ou um dia ter que, finalmente, encarar de frente uma barata. De mudanças inesperadas, de perder minhas caixas cheias de cartas antigas, de ficar antiga, de ficar muito moderna e ridícula, de taxista chato que puxa assunto, de perdas emocionais, de ficar entupida de lembranças, de esquecer, de pular de para-quedas, de ficar paralizada, de olhar e não ver, de ver e agora? Medo de emburrecer, de separações, mesmo as desejadas, de chuva que estraga a chapinha, de tempestade que se anuncia, de gente chata, de gente medíocre, de criança muito esperta, de envelhecer. De ser pra sempre um vaso quebrado, de mentes perigosas, da minha. Da minha. Ah, daria pra parar de pensar? Dormindo? Não, acordada, dá pra parar de pensar tanto? Porque se penso muito, fico querendo encontrar um sentido e aí, as coisas ficam todas sem sentido e, sem sentido, eu morro de medo...

De avião, de morrer de morte súbita, de coisas não ditas que perderam a hora, de coisas ditas que não calaram, de ler a bula dos remédios, de não ler todos os livros que eu queria, de amores impossíveis. De tirar sangue, tomar injeção, tomar pé na bunda, fazer sofrer quem não merece, engordar, não saber quem eu sou. De saber e agora? Dá pra parar de rodar? Como um pião desgovernado, com medo de cessar de girar, cair e nada mais acontecer. E que acontece se não acontece nada?
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Acontece que não quero morrer de tédio, mas também quero jogar algumas fantasias fora. Se possível, todas. Quero ir embora, mas também quero ficar aqui. Aqui, onde fiz minhas próprias revoluções, sem queimar nenhum navio. Aqui, neste mesmo cais de porto. Acontece que eu quero segurança e adrenalina. Segurança e adrenalina.Segurançaeadrenalinasegurançaeadrenalinasegurançaeadrenalina. Medo de estar segura e viajar e ter adrenalina e puxar o freio de mão. Do que tenho medo? De partir meu coração. De não achar respostas pras perguntas inevitáveis. De não evitar as perguntas, de errar o caminho, de ficar muito cansada, de não aproveitar o trajeto, de árvores assustadoramente altas no meio do nada, de fila de espera de hospital, de perder o bonde, de errar o ponto do macarrão, de encher muito o copo e transbordar. E as vezes transborda. Ainda assim, não tenho medo de errar e fazer de novo, nem de ir fundo, trancando a respiração e subir à tona devagar. De gente que não se esconde, se inventa, se transforma e se perde e se encontra. Quinhentas vezes, se preciso. Não tenho medo do escuro, de ficar na contramão, de quebrar meu coração, contanto que isso me revele coisas essenciais sobre mim mesma. E sobre os outros. Não tenho medo de enlouquecer, nem desistir, quando acredito que não vai dar pé, nem de insistir quando tenho alguma fé.

Eu tenho medo de dar vexame, mas já dei alguns. De fazer papel de boba, mas já fiz, de me humilhar, mas já me humilhei. Eu já morri de amor, mas ressucitei.  Na prática, eu sou toda teoria.  Sou viagem, fantasia,  deserto do Saara, vez-em-quando algum Oasis, florzinha no cabelo, medo de ficar louca, faca afiada na língua, mel nos olhos, medo de alucinar, romance água com açucar, palavras, palavras, palavras. Livrai-me das esquinas escuras de mim, porque são elas que me amedrontam, mais do que tudo. Mas deixai-me com todas as ilusões, quero roçar minha boca nas bordas desse copo transbordante, deixai-me com a esperança verdinha, com toda poesia de amor, com toda a minha doçura e as minhas setencentas e cinqüenta mil frases de efeito, porque eu falo muito, mas não digo tudo. O essencial está guardado, quem tiver olhos de ver, verá, quem tiver ouvidos de ouvir, escutará. Mistério preservado, mesmo totalmente nua. Sem medo. E aprender que o verdadeiro streap acontece muito lentamente, dez minutos pra arrancar as meias, vinte minutos pra descobrir os seios, a vida inteira para ver meu coração. Com sorte.Abrir o coração, sem medo.



sábado, 23 de maio de 2009

Eu quero ser dona-de-casa



Deu sol, deu praia, deu tudo certo e tudo errado e o resto é aquela incógnita de sempre. Pra onde é mesmo que eu estou indo? A que horas passa o ônibus que devo tomar, quando é que eu vou chutar essa pedra da estrada? Viver sem fazer planos agora. É que planos exigem disciplina, determinação, paciência e eu estou sem os ingredientes no estoque no momento. E porque é que todo mundo ter um plano? Um plano A, um plano B, um plano de Fuga, objetivos na vida? Ai, isso às vezes cansa! Ó, lá vai a pérola do dia: eu queria viver como se tivesse os dias contados e não desse tempo de planejar nada a longo prazo.
Eu queria dar um abraço na minha mãe e pedir perdão pela eterna falta de paciência, mas não faço. Meus braços permanecem cruzados. E queria poder ficar chocada, não apenas um instante, mas o tempo todo, com tudo que acontece de errado no mundo. Eu queria permanecer de boca aberta, de indignação, mas também sou como toda gente. Não fico chocada tempo o bastante e tempo bastante é sempre! E, se eu vivesse mesmo como se tivesse os tais dias contados, não perderia tanto tempo fazendo joguinhos, usando artimanhas, disfarçando, negando, evitando. Telefonaria se estivesse a fim e não ficaria supondo que fulano vai pensar que sou carente ou muito dada. Enterraria essas velhas táticas imbecis. Eu não ia sair por aí soltando os cachorros não,  só ia ser menos falsa. E mais corajosa, talvez. Às vezes esperamos demais pra fazer o que precisa ser feito, como se o tempo estivesse inteiro à nossa disposição. Ou então não é com a gente, trabalhamos nos bastidores. Mas eu quero estar no palco algumas vezes, quero sim. Ser a protagonista, a anti-heroína. Tess D´Umbervilles, sem um final trágico. O que mais eu desejo? Anos de indecisão! Não sei o que eu quero,  não com aquela certeza que te faz seguir em frente, chutando as pedras do meio do caminho. Só sei que quero, quero, quero...alguma coisa, com uma sede absurda.

Sou estranha e insatisfeita. Nunca sei se quero que gostem de mim pelos meus seios ou pelas minhas idéias malucas. Se por acaso é por um, fico doida que não seja pelo outro, e vice-versa. Ah, mas tem uma coisa que eu sei que eu quero, aliás, acabei de me decidir! Quero ser dona-de-casa, assim mesmo, bem na contramão da evolução feminina. Ser sustentada, ó que delícia! Fazer muito cursinho à toa, pintura em porcelana, pintura em acrílico, pintura na puta-que-o-pariu! Massagem, depilação, análise. Estarrar-me em frente à TV pra ver a sessão-da-tarde e quando ele chegar, supondo que exista um " ele", correr pro abraço. (vou estar ajeitadinha, vá lá, prometo!). Essas feministas ferraram com a gente, eu porque não conheço nenhuma, senão metia a mão! Pra que mandaram a gente estudar, fazer faculdade e ficar inteligente? Eu quero é perguntar: "Ei amor, me diz em quem eu devo votar? ahahaha.
Eu quero ser burra! Burra, alienada e completamente feliz, dá licença! Ao menos por uns dias.
Tá, tá, eu sei, eu sei

Tudo, menos poesia....

Balada Triste


Não que eu não perceba o sol batendo de frente na minha cara

eu fecho os olhos pra não ver a desordem ao meu redor

Com medo de mudar.


Não que eu não sinta a palma úmida de minhas mãos se escondendo

eu estou só procurando um lugar pra largar esse copo

Me derramar.

Não que eu não veja essa poeira se acumulando sobre os móveis

essa poeira é o passado

O " ontem" que não consigo apagar.


Não meu amor,

não é que eu não ligue pras feridas abertas do meu coração

É que já me acustumei com a minha dor

e sem ela me sinto só.


Não é que eu queira piedade

nem é que eu precise chorar

É só essa noite, essa lua

esse gato miando no telhado ao lado


É só esse vinho, essa veia

Essa mesma música tocando sem parar


Que eu não percebo

que eu não percebo.