sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ringo Star, o resmungão (uma crônica bobinha de amor)


Não entendo quem não gosta de samba, quem não gosta de Beatles, quem não gosta de cachorro. Respeito, vá lá, mas não entendo. Eu amo meu caozinho preto e branco, com olhos cor de mel, com nome de Beatle: meu Ringo Star. E essa é minha declaração de amor pra ele. Esse amor que tento expressar todo dia, há quatro anos, desde que o trouxe numa caixinha, o filhote mais lindo que já vi. Primeiro pensei em dar a ele o nome de Brando, em homenagem a um outro ídolo, o Marlon, mas mudei de idéia bem a tempo, porque Ringo Star não tem nada de brando, ele é daqueles cachorros meio problemáticos, que independente do tamanho, se acha, quer ser o líder, disputa, ganha. É líder. Baixinho e marrento, feito o Romário. Sou fâ do baixinho também, então Ringuinho é o meu herói, meu bad boy resmungão.

Daqueles inesquecíveis, que acumulam histórias pra contar. Como chegar na casa da minha mãe pela primeira vez e assim que é largado ao chão, procurar o tapete mais bonito da casa e deixar sua marca: cocô com vermes. Um jeito muito Ringo Star de se apresentar, muito prazer. Ou sua maneira Mohamed Ali de receber um novo amiguinho, dos tantos que vieram depois dele, chamando pra brincadeira, com as patinhas fazendo passos de boxeador num ringue. Ou quando a brincadeira virou luta com nocaute. Quase matou meu Bibi, o vira-latas mais safado do mundo.

Desculpa, Ringuetes, por ter passado a liderança pro pastor, só porque ele é grandão e obediente, por te colocar em segundo lugar pra dar a comida, os petisquinhos, pra brincar. Mas você se rendeu? Claro que não, por mais que eu quisesse, se rebelava e mostrava pra mim e pra ele quem mandava nessa casa. Ringo que me olha esquisito e muito parado, se eu fico triste ou choro e que me espera no portão com um tapetinho velho na boca, querendo que eu entre logo pra brincar. Desculpa se não te levei muito pra passear. E obrigado, por estar naquele lugar quando eu passei por lá, por fazer parte da minha vida e sobretudo, por me ensinar a cuidar. Eu, que nem aprendi direito a cuidar de mim, que nunca cuidei de coisa alguma, aprendi a cuidar de quem precisava de cuidado. Errando e acertando. Te dando esporro, uns chegas pra lá, te dando carinho na barriga, ou alisando tuas patinhas, ou te dando todo amor que tive pra te dar.

Agora que a vida mudou, pra mim e pra ele, por essas coisas que acontecem e não se preveem, agora que ele está indo embora da minha casa, meu coração fica apertado e eu choro como se ele fosse um membro da minha família. E é. Ele vai me esquecer, eu sei. Um dia não vai mais saber que fui a dona dele, nem tchuns pra minha cara. Espero revê-lo feliz...e resmungando, claro. Eu nunca vou esquecer. Meu primeiro cachorro. Meu amigo, meu companheirinho. Vai feliz, Ringão, vai com teu dono, ser líder em outro pátio, como sempre vai ser no meu coração

3 comentários:

  1. Uiiiiiiiiii...lebrei do Elias e chorei tb,credo!!
    Aiiiiiiii!!
    :)
    Petry.

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  2. Nossa amiga que forte.
    Sabe querida, sabemos o quanto é difícil transcrever fielmente para o papel palavras e emoções.Mas, acredito que você faz isso de uma forma única, que quem lê, acaba se emocionando e vivendo um pouco da sua emoção.
    Chorei, chorei...e como não chorar com tanta profundidade de palavras.
    Fica com Deus, te adoro.
    Izabella

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  3. Que lindo, querida! Msm eu, q nunca tive cachorro, fikei comovida...

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