Eu dei a ela a idéia de fazer uma lista de todas as boas coisas que nos fizeram. Um elogio, um pequeno gesto, um grande gesto. Quando estivéssemos sentindo nosso chão cair, íamos lá na listinha e víamos o mundo-cor-de-rosa again. É, eu colecionava papéis de carta. Tinha diários, sou da década de 80, não existiam blogs. E, ao contrário da minha amiga, tenho também uma lista negra. Não procuro, mas se vem no meu colo a oportunidade, eu me vingo sim. No mais, vamos nos ater ao lado rosa da força. Enjoy!
Eu era uma Patinho Feio. Aquela historinha do pato medonho que vira um belo Cisne. Nenhum garoto da escola me dava bola, nenhum. Era magricela, desengonçada. E fazia balé, imagine! Então me concentrava na bíblia e em Shakespeare. É, juro! Li o apocalipse inteiro e 3 atos de Shakespeare. Dos 12 aos 15. E passei a faculdade inteira namorando um cara só.
B: Aos 15, descobri o mundo com o primeiro namorado. Do primeiro toque ao primeiro beijo. Sem deixar de ser virgem porque ainda era pecado. Um dia, na praia, ele contou todas as estrelas do céu pra mim. Pobre rapaz!
T: Todo problemático, uma novela mexicana, mas eu parecia gostar da coisa. Tinha uma ex-namorada a tiracolo, sempre. EVER. Eu desistia dele mil vezes e mil vezes voltava atrás. Até que ele disse: ‘Quero que você seja a mãe dos meus filhos’.
J: Um primo distante. Não daria certo desde o início da humanidade. Mesmo assim, a gente errou. Ele pegou uma mecha do meu cabelo, cheirou e me disse olhando nos olhos: ‘Você foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos’.
F: O primeiro grande amor. E o último. E talvez o único. Meu fiel escudeiro. Doce, gentil. E acho que a melhor declaração de amor também: ‘Você parece daquelas garotas prendadas, que passam nos comerciais de TV e a gente sonha quando tá na escola...’. Eu achei lindo. Quando ele fez a primeira tatuagem, não quis que eu fosse para não vê-lo chorar, se fosse o caso. Eu fiquei puta da vida, mas não resisti quando ele sorriu e disse: ‘Agora somos um casal tatuado, amor!’ ·
N: Paixão daquelas avassaladoras, inesperadas. Surreal. E ele me mandava depoimentos no Orkut: ‘Não tenho palavras pra dizer o quanto te amo. Que poeta fudido eu sou. Você me deixa muito gay!’. E me apresentou Elvis e me ESCREVEU Elvis. Um dia, quando brigamos por causa do meu ciúme, ele escreveu off no MSN a letra inteira de ‘I Can’t Falling In Love With You’.
D: Ser nerd era a melhor condição dele. Ele entendia quando eu falava de Star Wars. Entendia quando eu imitava Jessica Rabbit. Enfrentava horas de viagem só pra me ver. E vinha com chocolates e danetes e era uma festa. Foi rápido, acabou quando nem havia começado. Mas quando acabou, ele confessou: ‘Não terá graça levantar mais ninguém no elevador...’ ·
J: Alguém por quem eu NÃO PODIA ter me apaixonado, mas como as melhores coisas da vida, foi inevitável mesmo. Trabalhávamos juntos, dia a dia, ali, no convívio, disfarçando a todo custo um desejo muito sufocado. Um dia, por e-mail, ele mandou: ‘Torna-te responsável por tudo aquilo que cativas’. Ou seja, um FDP que não era capaz de arcar as conseqüências de também ter se apaixonado por mim.
P: Paixão platônica, que nunca aconteceu. Mas eu não posso deixar de lembrar aquele jovem repórter do caderno de política, sagaz, rápido e frenético, como pede toda a alma de jornalista. Seria estranho se’u não me apaixonasse de cara. Ele logo virou editor do jornal. Eu repórter de cidades. E ele me editava, em quase tudo. Só pra disfarçar que não resistia aos meus olhinhos de jabuticaba. Um dia arranjou uma namorada. Numa festa entre amigos, ela piscou e ele me roubou um beijo. Disse ter sido o melhor da vida dele. Eu saí do jornal e nunca mais nos vimos.
F: Mais uma paixão platônica, só que aconteceu. Era mais que platônica, era antiga, envelhecida. Conhecíamos-nos apenas por internet. Quando o vi pela primeira vez, odiei. Depois me apaixonei de novo. Aliás, ele tem este poder de fazer eu me apaixonar quantas vezes ele quiser, em qualquer época, em qualquer lugar. Um doce canalha. Eu ainda tava longe quando ele me mandou este poema do Xico Sá. Eu tinha acabado de voltar de um rodízio. Um dia, disse que ia deixá-lo louco por mim. Ele respondeu: ‘Mais ainda?’ E quando finalmente me beijou, disse: ‘Que beijo bom!! Onde você aprendeu? Não consigo ir embora...’. Mas o que me prendeu, foi quando disse e pareceu tão honesto: ‘Achei que não vinhas mais. Tou orgulhoso de você.’ ·
LF: Doce, muito doce. Meu porto-seguro. Eu nunca consegui me apaixonar por ele. E ele desabafou: ‘Pensei que você seria a mulher da minha vida’.
Pilar, melhor amiga1: ‘Te dou um valor do caralho, desgraçada!’ ·
Luciana, melhor amiga3: ‘Não ouse borrar a maquiagem de Diva!’ ·
Happy End. Claro que tive minhas tragédias, óbvio. Mas não convém contá-las, sequer lembrá-las. Já enriqueci demaaaais os porcos. Vinde a mim, pôneys bonitinhos
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